True Blood  escrito em sábado 20 dezembro 2008 06:15

Ah, a HBO... não existe canal americano que faz séries tão bem como a HBO. Pensem comigo: Sex And The City, The Sopranos, Big Love, Entourage, Six Feet Under... e agora True Blood, que nem chegou e já arrematou duas indicações para o Globo de Ouro: melhor série dramática e melhor atriz para Anna Paquin. A premissa é essa: os vampiros decidiram "sair do armário" e assumirem que existem para o mundo, já que agora existe uma bebida criada pelos japoneses que substitui o sangue humano. A série tem como personagem principal a inocente Sookie, uma vidente que pode ler o pensamento dos outros. Ela é vivida pela Anna Paquin, a "Vampira" (coincidência?) de X-Men. Mas ela é só uma das várias personagens interessantes da série. No começo, o sotaque caipira incomoda um pouco, mas não por preconceito, e sim porque estamos tão acostumados a ver séries com o inglês "normal". Mas depois isso passa a ser o charme de "True Blood", que aborda questões bem polêmicas e variadas, como o relacionamento explosivo entre uma humana e um vampiro, virgindade, drogas, homossexualidade, alcoolismo,  assassinato, racismo, promiscuidade, e por aí vai. Lógico que falando-se em HBO, tudo isso era trivial. Mas True Blood consegue inovar mesmo com a já mais que batida mitologia dos vampiros. Vale lembrar que o criador de True Blood, Alan Ball, é o mesmo de Six Fete Under, e Beleza Americana. A primeira temporada já acabou nos EUA, e estréia por aqui em janeiro. Eu já assiti  a tudo, e garanto que vale a pena acompanhar a melhor estréia de série desse ano!

 

Armando Deyrmendjian Filho 

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Mamma Mia, Meryl!  escrito em sábado 20 dezembro 2008 05:43

Amigos, eu tinha esquecido de como eu amo o cinema... Sério mesmo! E vocês não sabem que filme fez eu notar isso? MAMMA MIA! Verdade! Bom, o musical está longe de ser uma perfeição no roteiro... À propósito, parece que ele foi feito assim: um cara juntou todas as letras do Abba, e começou a tentar criar uma historinha... Mesmo assim, deu no que deu: um dos filmes mais divertidos do ano!  Bom, a história é simples: Sophie, uma menina de 20 anos, está para casar. Ela não sabe quem é seu pai, e então chama 3 antigos namorados de sua mãe para o casório (que também são possíveis candidatos a papai) com o propósito de desvendar esse mistério. E o resto é história... quer dizer, música! O filme inteiro é regado dos maiores sucessos da banda sueca ABBA, sendo qualquer evento uma oportunidade para todos cantarem. É inevitável não se contagir com as músicas, e o filme tem realmente muitas cenas engraçadas. Mas o destaque mesmo fica por conta de Meryl Streep. Sem dúvida nenhuma, ela é uma das melhores atrizes vivas da atualidade. E que versatilidade essa mulher tem! Em "Mamma Mia" fica notável que ela se diverte com o papel, e é bem agradável ver isso! Lembrando que o próximo filme da atriz é o pesadíssimo "Doubt", em que ela interpreta uma freira que acha ter descoberto um caso de pedofilia. Mas enquanto esse não estréia por aqui, vale muito a pena ver Meryl cantando "Dancing Queen" em "Mamma Mia"!

 

Armando Deyrmendjian Filho

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Hitchcock (quase) sem cortes  escrito em quinta 18 dezembro 2008 17:49

Sempre falam que quando você começa a fazer faculdade de audiovisual, cinema e afins é quando você pára de ir ver filmes etcporque não tem mais tempo...Well, é um pouco o caso, tá sendo bem raro ir o cinema conferir as novidades. Mesmo assim eu consigo ver bastante coisa na TV e curtir uma promoção mágica que tem em uma locadora do meu bairro: toda quarta feira você paga 10 reais e leva 5 dvd's (catálogo), então eu acabo vendo (é claro) os clássicos! Ontem assisti "Festim Diabólico" ("Rope") de Alfred Hitchcock, é aquele clássico filme que parece não ter cortes porque cada vez que o rolo acaba a câmera passa por uma superfície escura deixando o corte menos perceptível. Tenho muitas observações sobre o filme. O filme foi adaptado de um romance que virou peça, o diretor queria manter o clima de peça, em que toda a ação ocorre em um apartamento, mas acho que mais que adaptar uma peça Hitchcock adaptou uma linguagem e o filme fica longe de ser um teatro filmado. A câmera que guia o olhar também guia o que o espactador ouve, esse recurso não é possível no teatro, é uma espécie de mobilidade guiada. Só para contar um pouco da história para ninguém ficar perdido: dois jovens comemtem "o crime perfeito" e guardam o corpo em um baú, no mesmo dia eles fazem uma festa e a mesa de jantar é, na verdade, o baú com o corpo do rapaz dentro; entre os convidados da festa estão o pai e a noiva do mesmo...Nos extras do dvd o roteirista diz que acredita que o suspense seria maior se o próprio espactador não soubesse o que tem dentro do baú, e eu concordo com ele, essa é uma daquelas coisas que acontece quando o diretor não escreve o trabalho, são visões diferentes da mesma obra. James Stewart interpreta o professor dos rapazes, aqueles que acredita que "seres superiores" podem e devem eliminar os "seres inferiores" e o personagem mais propício a descobrir o crime de Brandon e Philip. De acordo om o roteirista o filme é sobre homosexualidade e que no período em que o filme estava sendo feito eles falavam: the movie about "it", sendo "it" a homosexualidade. Não sei como é a peça na versão inglesa, mas no filme de Hitchcock isso me passou despercebido (pode ser que eu seja totalmente tapada), até faz sentido para a história, mas não é uma coisa que salte aos olhos. Também acho que no momento em que você escala Stewart para o papel do professor você já anula o fato de que ele é gay, desculpe, mas ele tende mais para o detetive durão do que para o professor gay. Na época , acho que o enredo pareceu mais óbvio e deixou muitas pessoas desconfortáveis pois tratava de um assunto que mais ninguém queria falar. Dá para notar que a direção de atores não foi muito forte, Farley Granger (que interpreta Phillip) está bem fraco, eu nem reparei que ele também faz outro filme do mestre do suspense: "Pacto Sinistro" e está muito melhor nesse. James Stewart falou que Hitchcock dirigiu mais a câmera (que tem que se deslocar em um espaço limitado sem ser vista) do que os atores. De qualquer forma é um filme imperdível, suspense que se mantém vivo depois de 60 anos.

 

Mariana Serapicos

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Michel Gondry: o cinema como experiência comunitária  escrito em quarta 17 dezembro 2008 01:11

Quem quiser assistir um filme interessante no cinema, vai a dica: "Rebobine Por Favor", de Michel Gondry (sim, o mesmo de "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças"). O filme conta a história de dois amigos (Jack Black e Mos Def) que, quando Black sofre um acidente, acaba desmaguinetizando as fitas da locadora de Mos Def. Para contornar o problema eles passam a "re- fazer" os filmes de uma maneira um tanto "caseira". Não queria falar sobre como as obras Gondry não têm espaço no mercado nacional ou como ele é ótimo com efeitos ópticos, queria falar sobre um assunto que parece lhe interessar bem mais nos dias de hoje: as relações humanas. Com a exposição que está no MIS, que é baseada no filme, Gondry quer basicamente trazer as pessoas para fora de casa e para conviverem umas com as outras, sem altos portões e cercas. O diretor acaba questionando a própria hierarquia cinematográfica. Se na política dos autores o diretor ocupava uma posição de destaque o mesmo deve sair do pedestal; em Hollywood pode ser uma "política dos atores", pois são eles que trazem a bilheteria, mas o que Michel Gondry propõe é uma "mão na massa conjunta", em que todos se envolvem em todos os aspectos da produção cinematográfica. A meu ver, Gondry aprecia o cinema de uma maneira que vai além de suas capacidades visuais, mas sim as suas capacidades sociológicas. Ele se mostrou inconformado quando, na sua vinda ao Brasil, foi exposto ao fato que no Brasil as pessoas não estão indo mais ao cinema, ele queria discutir o por quê disso. As pessoas irem ou não ao cinema é muito mais importante do que discutir a sua própria estética porque tem implicações maiores. Ele se mostrou decepcionado com o esquema de Hollywood que literalmente "picota" os filmes que não entende e toda essa política de agentes e atores. Ele traz á tona toda a questão da identidade, do povo "se ver na tela", e que maneira melhor de se ver na tela do que fazendo o próprio filme?

 

Mariana Serapicos

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Envolvimento distanciado  escrito em terça 16 dezembro 2008 16:03

Muitas vezes eu passo por umas fases de achar que filme bom é aquele que critica a estética estabelecida no cinema atual, que é aquele que questiona a linguagem e explora o máximo possível. Isso é legal, mas não é necessariamente verdade. Antes de tudo o cinema conta histórias e por mais que não seja inovador a sua abordagem pode ser e só o fato de conquistar um público num país em que os cinemas estão literalmente sumindo é um triunfo. Eu assisti novamente "A Vida dos Outros", filme alemão vencedor do Oscar que conta a relação que um agente do Governo estabelece com um casal que "monitora" através de grampos na casa dos mesmos. É um filme lindo. Ulrich Mühe que morreu pouco depois do lançamento do filme interpreta um personagem que transmite distanciamento, no entanto, as suas ações dizem o contrário. Me lembro que a primeira vez que vi o filme achei legal e todo mundo estava falando super bem, mas não achei nada demais, assistindo novamente parece que tudo fica mais claro. As estratégias utilizadas pelos intelectuais para fugir das armadilhas impostas pelo Governo são interessantes de se conhecer, a crise pela qual a maioria passa, as reviravoltas da história, que não se pretende passar por um thriler, mas muitas vezes carrega características do gênero, tudo combinado faz um filme único e cativante.Aparentemente, o distanciamento pode acarretar em um envolvimento ainda maior.

 

Mariana Serapicos

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