Os 100 Melhores  escrito em sexta 10 agosto 2007 19:07

A revista Bravo! publicou esse mês um guia com os 100 melhores filmes escolhidos pela redação. A idéia é legal, porque sempre nos baseamos em listas americanas, AFI, New Yorker e etc. Muitos deles são unanimidade em todas as listas, "Cidadão Kane", "O Nascimento de uma Nação" e outros clássicos que as vezes acho que só são escolhidos pelo seu valor histórico. É claro que são ótimos filmes e que representam enormes avanços do cinema, mas "o Nascimento de uma Nação" tem o mesmo impacto hoje do que teve anos atrás? Será que "Cidadão Kane" só aparece em todas as listas porque nunca ninguém teve coragem de descartá-lo?

 

Também podemos notar certas peculiaridades, Marlon Brando aperece em 3 filmes da lista! Mas não me conformo que escolheram "O sétimo selo" de Bergman ao invés de "Morangos Silvestres". Também me pergunto o que "A lista de Shindler" estava fazendo lá, não é o melhor filme que fala do Holocausto nem o melhor filme do diretor; É claro que algum filme de Spielberg devia estar na lista, mas eu esperava "E.T.", afinal, não é qualquer um que faz marmanjos chorarem por um monstrinho verde. Algumas escolhas também acho um pouco estranhas, como "O Leopardo", gostei do filme, cenário maravilhoso, mas ficar entre os 100 melhores? Bem, essa é só minha opinião. Também, escolher "Annie Hall" entre tantos ótimos filmes de Woody Allen, eu sei que tem gente que é louca por ese filme, mas eu  daria um lugarzinho para "A Rosa Púrpura do Cairo" ou "Hannah e Suas Irmãs".

 

E o que vocês acham?

 

Mariana Serapicos

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A Mulher Do Meu Irmão  escrito em terça 31 julho 2007 17:56

Drama muito bem construído, "A Mulher Do Meu Irmão" conta a história de Zoe, uma mulher muito bonita que se casou cedo com Ignacio, e está em uma fase de seu relacionamento em que não há mais empolgação, e tudo parece rotina. Com a chegada de Gonzalo, irmão de Ignacio, Zoe vê uma possibilidade de mudança, e é então tomada pelo desejo e se entrega à traição. Esse esquema de "adultério tipo Primo Basílio" já foi contado inúmeras vezes pelo cinema, e raramente funciona ou proporciona algo de novo para a sétima arte. O filme não apresenta nada de novo, mas funciona muito bem. Além do drama de Zoe, pode-se acompanhar também a relação de indiferença entre os dois irmãos, em que a vingança e a inveja se personificam neles, fazendo com que um segredo trancado a sete chaves possa destruir muitas vidas. O filme também se destaca por não ser maniqueísta, mostrando o lado bom e o mau das pessoas. Além disso, a trilha sonora é bem compatível ao drama dos personagens, fazendo com que o espectador mergulhe ainda mais na história. Vale a pena dar uma confirida!
 
Armando Deyrmendjian Filho 
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Semana fúnebre para o cinema  escrito em terça 31 julho 2007 17:24

Morreu hoje, aos 94 anos, o cineasta italiano Michelangelo Antonioni. Mas parece brincadeira, to até pensando em verificar como o Manoel de Oliveira está de saúde, ele já tem 98 anos! Bem, não conheço muito do trabalho de Antonioni e provavelmente não sou a pessoa mais indicada para discorrer sobre seu trabalho, mas sou uma amante do cinema e isso é o que conta! Dos filmes do diretor só assisti "Profissão: repórter, com Jack Nicholson, gostei bastante, mas não está entre meus favoritos. Mas, como qualquer cinéfila reconheço o impacto do diretor e sua importância, principalmente com o filme "Blow-up" baseado em um conto de Julio Cortázar. Enfim, damos o nosso adeus a mais um gênio da 7° arte...

 

Mariana Serapicos

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Bergman e a Morte  escrito em segunda 30 julho 2007 16:17

Morreu hoje, aos 89 anos, o cineasta sueco Ingmar Bergman. É uma grande perda para os amantes do cinema, quando vi na Internet a notícia fiquei em estado de choque: "o meu diretor favorito morreu!" Bergman tratava em seus filmes temas difíceis, a morte, transtornos psicológicos, o sentido da vida; deixou cenas que marcaram o cinema, como o personagem de Max Von Sydow jogando xadrez com a morte em "O sétimo selo". Seu grande interesse era o universo feminino, com filmes como "Gritos e susurros" e "Persona"; me lembro de assistir "Persona" e pensar: como alguém pode ser tão bom? Até Cassavetes em "Faces" cita Bergman, um casal está na cozinha a mulher diz que quer ir ao cinema, que tem um novo filme do Bergman passando e o marido responde: não quero ficar deprimido hoje. Porque inevitavelmente esse era o efeito de seus filmes, e apesar dos temas tão difíceis que escolhia ele ainda era um sucesso de público e crítica. Que filme vem a mente quando se fala de morte se não "Morangos Silvestres"? Bergman não faz parte de nossa geração, ele se aposentou do cinema em 1983 e seu último trabalho foi "Sarabanda", filme feito para Tv; mas os temas de seus filmes são universais e atemporais, filmes mais datados como "Noites de Circo" acabam caindo no esquecimento de alguns, agora, aqueles que tratam da família, da comunicação, da morte, da vida sobrevivem, e esses estão em maioria. Bergman era muito suscinto em seus filmes, e é o que eu gostaria de ser se algum dia me tornar uma cineasta; eles ultrapassavam duas horas, mas conseguiam passar idéias que muitos filmes de três horas não chegam nem perto. Bergman era versátil também, produziu trabalhos para a Tv, cinema, rádio e teatro, e não acho que exagero quando afirmo que ele era um gênio. Suas experimentações em termos de imagens e efitos e jogos de câmera são modernos até os dias de hoje, principalmente em "Persona". Ao contrário de certos diretores que só conseguem passar conceitos através de palavras, Bergman o fazia a partir de imagens, gestos e ações; em nenhum momento seus personagens sentam para discutir temas filosóficos, eles simplesmente acontecem. Decidi pela primeira vez assistir um filme dele porque todos falavam que "Morangos Silvestres" era uma obra de arte, sempre que chegava na locadora ele estava alugado, e acabei assistindo vários filmes do diretor antes de chegar em sua obra prima Mas na minha opinião "Persona" é o que se tem de melhor; claro que ainda não assisti toda a sua obra, e isso me conforta, porque mesmo depois de sua morte, vou assisti-lás como se fossem lançamentos. Eu sempre entrava no IMDB para ter certeza de que ele estava vivo, já tinha uma certa idade e queria me certificar de que ele ainda estava entre nós, agora vai estar lá : date of death; chega até a ser meio melodramático não é mesmo? Bem, ele tem pelo menos 9 filhos (que para quem se casou 5 vezes é até pouco), que são diretores e atores, quem sabe eles não chegam pelo menos aos pés dos pai? Nós aqui na terra chorando a sua morte e Bergman está provavelmente em algum lugar jogando xadrez com a morte...

 

Mariana Serapicos

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Desperate Housewives  escrito em quinta 26 julho 2007 04:38

Um dos seriados mais viciantes da atualidade, Desperate Housewives me conquistou logo na primeira temporada. Um roteiro escrito extremamente bem, uma premissa  ousada, e atores escolhidos a dedo fizeram do programa um dos maiores sucessos da televisão. O primeiro ano da série é sem sombra de dúvidas a melhor parte, cujo último episódio foi arrasador. Entretanto, a segunda temporada escorregou feio com uma história fraca, além de que cada episódio pareceia uma explícita  enrolação sem precedentes,  fato infeliz que foi reparado  nos últimos episódios da temporada. A terceira temporada acabou semana passada na Sony, e nela pode-se perceber uma clara melhoria na qualidade do programa, mas sem nunca se igualar com o início da saga das donas de casa desesperadas. Mesmo assim, o seriado continua sendo um dos mais assitidos, tanto nos Estados Unidos como aqui no Brasil, obtendo altos índices de audiência. Mas não é para menos... afinal, o programa equilibra humor negro com drama de uma forma bem cativante, mostrando o pior e o melhor lado das personagens, como se fosse uma montanha-russa sentimental. Para quem não conhece a história geral, a série é narrada por Mary Alice Young, dona de casa aparentemente com uma vida perfeita, mas que se mata já no primeiro episódio. A partir daí, ela acompanha a vida de suas vizinhas e amigas. A cada temporada, um misterioso crime toma conta do bairro em que as donas de casa moram, parecendo certas vezes um pouco forçado que tanto assassino venha a morar lá... Ah, mas até aí isso não importa, já que todo o resto compensa, principalmente a divertidíssima personagem de Eva Langoria, que possui os melhores diálogos. A Rede TV do Brasil comprou os direitos para produzir, em parceria com a Buena Vista Internacional, da Disney, a versão brasileira do seriado, que já está sendo filmada na Argentina, com o objetivo de baratear o custo. É uma empreitada ambiciosa de 5 milhões de dólares, em que gente de respeito irá participar, como Sônia Braga, Lucélia Santos e o diretor Fábio Barreto. Entretanto, para quem acompanha o seriado americano, não haverá mudanças no roteiro, a não ser as adaptações brasileiras, como o nome das personagens. Sendo assim, quem já sabe dos obscuros segredos das donas de casa não irá ver nada de novo na versão brazuca, o que me faz questionar sobre a originalidade da nossa televisão atual... se vão gastar tanto dinheiro, pelo menos gastem com algo diferente e original, não é mesmo?
 
Armando Deyrmendjian Filho 
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