O filme Apenas o Fim é uma produção de alunos da PUC do Rio de Janeiro, um longa realizado na base do amor e da amizade, provando que existe um cinema brasileiro, apesar de todas as dificuldades, e que ele finalmente respira.
Um verdadeiro retrato de uma geração que cresceu com Pokemón e Cavaleiros do Zodíaco, que quando jovem se voltou para Bergman e Godard. Um diálogo entre um casal que passa a sua última hora juntos relembrando e vivendo.
É possível observar as inúmeras influências do diretor, elas vão de Antonioni a Fellini e é impossível não notar pitadas de Annie Hall no roteiro. O filme é, antes de tudo, honesto e verdadeiro. Ao invés de se propor gigantesco logo de início, ele se prova gigantesco através de sua mera simplicidade.
Mais do que um retrato, um reflexo de pessoas que nunca se viram na tela do cinema. Dinâmico e envolvente, o filme, em seus breves oitenta minutos, provoca risada e choro por ser calcado no real em todos os seus aspectos.
A fotografia granulada da câmera digital acrescenta charme. Os tons amarelos entrecortados por cenas em preto e branco constrói uma narrativa paralela que, por si só, renderia um outro filme e o fato do diretor não optar por separá-las as torna únicas.
A química dos protagonistas não pode ser negada e o timing de ambos para a comédia revela a sincronia em que os dois se encontravam. O diálogo que se estabelece entre unidade e separação é recorrente e evocado de uma maneira sutil, fugindo do óbvio.
Muitos afirmam que fazer cinema não é uma tarefa fácil, exige o compromisso de muitos, confiança, cumplicidade e dinheiro; esse grupo de alunos da PUC provou que o último não é necessariamente verdadeiro.
MARIANA SERAPICOS
Vinicius Francisco
Seg 17 Nov 2008 22:29