Orson Welles disse que: "cinema é montagem", eu digo:
cinema é imagem! Ok, brincadeirinha. Só uma introdução para falar
de imagem e fotografia (essa sim é imagem não?). Ontem fui ver a
ótima exposição do Cartier Bresson no Sesc Pinheiros (R. Paes Leme,
195). Esse foi um homem que viveu muita coisa, uma linha do tempo
da História do mundo em paralelo a sua vida dá um gostinho dos
eventos que Bresson presenciou. Bresson foi assistente de Jean
Renoir no belíssimo "A Regra do Jogo", considerado (até os dias de
hoje) um dos melhores filmes de todos os tempos. Como fotógrafo
tinha o olhar atento, procurava se misturar na multidão, sua
liberdade era o anonimato. Sua imagem, ao contrário das que
reproduzia, não podia ser famosa, isso seria o fim de seu trabalho.
A arte deve ser maior que o artista.Na minha opinião Bresson
encontrou a simetria e as coincidências do mundo nas suas frações
de segundo. É a beleza real e não o embelezamento que ele
retratava. A foto que eu estou postando é um exemplo claro disso:
como as duplas se encontram no mundo, como a simetria pode ser
acidental! Uma coisa ótima da exposição é que as fotos não têm
muitas informações, apenas o ano e o local; elas foram momentos
passageiros, explica-lás as privaria de sua espontaneidade. O que
gosto em Cartier Bresson é que ele deixa muito para o espectador
imaginar: o que veio antes dessa foto? O que veio depois? O que
essa pessoa fará ou fez?Agora, andando pela rua, só vejo linhas,
formas...Estranho né? Como a arte desperta os
sentidos...
Mariana Serapicos
Trecho interessante da matéria de Gisele Kato para a Bravo:
Acredite: Henri Cartier-Bresson (1908-2004) nunca usou a expressão "momento decisivo" para falar de sua obra. O termo, no entanto, grudou em seu nome como um slogan. Tudo culpa da tradução que o título do livro Images à la Sauvette (em português, algo como Imagens Furtivas), de 1952, recebeu nos Estados Unidos. A diretora da Fundação Henri Cartier-Bresson em Paris, Agnès Sire, conta que não foi muito fácil a negociação da editora Simon & Schuster com o próprio fotógrafo. Cartier-Bresson queria The Given Instant (O Instante Dado), mas acabou aceitando The Decisive Moment sob o argumento de ser uma expressão mais forte e mais direta.

