O instante dado de Cartier Bresson  escrito em segunda 21 setembro 2009 00:29

Orson Welles disse que: "cinema é montagem", eu digo: cinema é imagem! Ok, brincadeirinha. Só uma introdução para falar de imagem e fotografia (essa sim é imagem não?). Ontem fui ver a ótima exposição do Cartier Bresson no Sesc Pinheiros (R. Paes Leme, 195). Esse foi um homem que viveu muita coisa, uma linha do tempo da História do mundo em paralelo a sua vida dá um gostinho dos eventos que Bresson presenciou. Bresson foi assistente de Jean Renoir no belíssimo "A Regra do Jogo", considerado (até os dias de hoje) um dos melhores filmes de todos os tempos. Como fotógrafo tinha o olhar atento, procurava se misturar na multidão, sua liberdade era o anonimato. Sua imagem, ao contrário das que reproduzia, não podia ser famosa, isso seria o fim de seu trabalho. A arte deve ser maior que o artista.Na minha opinião Bresson encontrou a simetria e as coincidências do mundo nas suas frações de segundo. É a beleza real e não o embelezamento que ele retratava. A foto que eu estou postando é um exemplo claro disso: como as duplas se encontram no mundo, como a simetria pode ser acidental! Uma coisa ótima da exposição é que as fotos não têm muitas informações, apenas o ano e o local; elas foram momentos passageiros, explica-lás as privaria de sua espontaneidade. O que gosto em Cartier Bresson é que ele deixa muito para o espectador imaginar: o que veio antes dessa foto? O que veio depois? O que essa pessoa fará ou fez?Agora, andando pela rua, só vejo linhas, formas...Estranho né? Como a arte desperta os sentidos...


Mariana Serapicos

 

Trecho interessante da matéria de Gisele Kato para a Bravo:

Acredite: Henri Cartier-Bresson (1908-2004) nunca usou a expressão "momento decisivo" para falar de sua obra. O termo, no entanto, grudou em seu nome como um slogan. Tudo culpa da tradução que o título do livro Images à la Sauvette (em português, algo como Imagens Furtivas), de 1952, recebeu nos Estados Unidos. A diretora da Fundação Henri Cartier-Bresson em Paris, Agnès Sire, conta que não foi muito fácil a negociação da editora Simon & Schuster com o próprio fotógrafo. Cartier-Bresson queria The Given Instant (O Instante Dado), mas acabou aceitando The Decisive Moment sob o argumento de ser uma expressão mais forte e mais direta.

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Not typical at all  escrito em quinta 03 setembro 2009 23:24

Tem um site muito legal: www.filmschoolrejects.com, lá você encontra críticas, novidades, prêmios e trailers de cinema. Eles estão precisando de alguém que contribua para o site, eu enviei um texto para eles que estou postando abaixo. O site americano então o texto é em inglês ok doky?

                                                                Not typical at all

Set in a typical Brazilian beach, featuring a typical family on a typical vacation, nevertheless there is nothing typical about Heitor Dahlia’s new movie Adrift. It tells the story of a fourteen year old girl, Filipa, through her eyes. On a hot summer she experiences the changes that are happening to her body as well as the changes in her family, which affects her from the outside.
Vincent Cassel portraits her father, a men whose daughter is becoming a woman before his eyes but he is not able to see it. A father whose daughter perceives him as the ideal man turns out to be normal, as any other man, interested in other women, not only her mother. The finding of a mistress (Camilla Belle) changes their relationship, establishing a game of liking and disliking and finding out the reasons for her parents acts is the prize.
Dhalia is used to putting his characters under a magnifying glass, he did that with Nina and Drained. The madness of the most unusual people was exposed to the viewers; now, an apparently normal microcosm is imbued with drama.   
The painful transition which Filipa is going through is told as if it was poetry, the senses are enhanced by the stunning scenery and musical score.  Antonio Pinto´s music follows the leading lady´s footsteps.
It is almost a period piece, since it’s set during the eighties. We can see that every piece of clothing had special treatmente, it wasn´t found in a flee market. What could be a very steriotyped wardrobe almost screems: The Wham!
Like a child, the character’s losses seem umbearable, an infinite suffering that will never go away. Like a woman, she learns to see things under a different light.
The cast´s chemistry works so well that we almost believe they are an actual family, it feels close to a documentary. Vincent Cassel´s clumsy and laid back father and Débora Bloch´s alcoholic and unloved mother seem members of any other (complicated) family.  
Although we have in front of us a pretty tropical place, the influences are cleary European. It is pratically impossible not to notice a flair of the French Nouvelle Vague, to be more specific, Truffaut’s debut Les quatre cents coups; Filipa running to the beach is the spitting image of Antoine Doinel.
It is a story about growing up, in every sense of the word, growing as a person, growing into an adult, changing. Heitor Dhalia is changing as well as his characters; he is turning into a bonafied good movie director.

Mariana Serapicos

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Adeus à infância  escrito em terça 25 agosto 2009 17:49

Texto que foi publicado no blog do Crítica Curta:

O filme “Silêncio e sombras” é um conto de fadas expressionista, uma animação que parece ter saído da mente de Tim Burton, mas teve origem em um lugar mais tropical: o Paraná. O trabalho em conjunto de Henrique Martins e Murilo Hauser faz com que o poema de Goethe “O rei dos elfos” tome forma.

      A paisagem é nórdica, o tema é universal: uma criança abandona o conforto de sua casa, a proteção que só nela encontra, para se aventurar na floresta em um passeio a cavalo com seu pai.

      As figuras são frágeis, literalmente frágeis, de porcelana, de vidro, podem quebrar a qualquer instante. São a personificação da fragilidade da existência humana. O pai tem uma luz dentro de si, uma lâmpada na região do tórax, ao menor movimento essa luz que os guia na noite pode se apagar.

      Pai e filho partem nessa jornada mágica de autoconhecimento. O curta é uma curta metáfora sobre a vida e a morte, adota símbolos para resumir a sua narrativa. Uma magnólia é lançada no meio da noite e se despedaça, essa flor encarna a brevidade da vida.

      A neve é um elemento muito presente, evoca a pureza da infância, um novo caminho traçado em meio ao branco. A neve também está presente em outro filme que tem a infância como tema, “Groelândia”, da Mostra Brasil 7.

      A música é um artifício utilizado como fio narrativo, a escolhida é “Erlkoenig” (O rei do elfos) de Schubert, que tem como inspiração o poema homônimo de Goethe. Ela dá o tom dos oito minutos do filme, acompanha a história, traça cada momento de emoção.

     A obra original culmina na morte da criança, no curta ela é sugerida, é muito mais a morte da infância, dos medos que a vida traz. A neve é esse universo desconhecido que todos temos que adentrar. O final escolhido pelos realizadores me pareceu mais poético do que o final do poema. É poesia audiovisual.  

Mariana Serapicos

 

 

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Festival Internacional de Curtas  escrito em domingo 23 agosto 2009 22:08

Vai até o dia 28 de agosto o 20° Festival Internacional de Curtas. Eu faço parte do Crítica Curta, um projeto em que cinéfilos e amentes do cinema e afins escrevem sobre os filmes presentes no festival. Ontem fui assistir a Mostra Brasil 1 e 7, a 1 é ótima, a 7 nem tanto, mas na 7 se destaca o filme "Groelândia". Bem, para quem quiser ler as críticas que o pessoal do Crítica Cura vai escrever para o blog segue o link: http://blog.kinoforum.org.br/

 

Mariana Serapicos

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O que faz um bom filme?  escrito em segunda 10 agosto 2009 23:54

“Inimigos Públicos”, por onde começar? Posso começar pelo fato de que não sou uma super fã do Michael Mann, mas Mann está a frente de seu tempo. Não digo isso como se o homem fosse um visionário, mas o cineasta que consegue imaginar como mundo vai estar quando o filme estrear (meses ou até anos depois da pré-produção) pensa a frente de seu tempo.
O que seria de Ninotchka se o pacto de não agressão não tivesse sido assinado justo na época de seu lançamento? Seria um filme pró-Alemanha, pró-nazismo, como o próprio Billy Wilder temeu que ocorresse, pois antes do tratado, ser contra a União Soviética era ser a favor dos nazistas.
 Ok, mas estou divagando...Tudo isso para falar que Michael Mann sabia que a crise econômica chegaria! Minto...o próprio disse que não podia imaginar, mas será que ser a frente de seu tempo não envolve um pouco de sorte? A crise de 29, a crise de 2009...Acho um paralelo interessante. Mesmo que o diretor afirme que a figura de J.E. Hoover não tem nada de Bush e que as respectivas “Guerras Contra o Terror” não passaram por sua cabeça não deixa de chamar a atenção como a nossa História é cíclica, e como um filme nunca é sobre a época que retrata, mas sim sobre a época em que é feito.
Mann conta novamente a história de dois homens, dessa vez, em lados opostos. Johnny Depp é John Dillinger, famoso ladrão de banco, Christian Bale é Melvin Purvis, o homem visto através de seu gatilho, “the man who is out to get him”. 
Depp interpreta o personagem charmoso, carismático, Bale é contido, sério. Muitos acreditam que Heath Ledger roubou a cena de Bale em “Batman-The Dark Night”, discordo, Ledger tinha o papel mais espalhafatoso, ele “tinha” que roubar a cena, mas isso não anula Bruce Wayne; o mesmo em “Inimigos Públicos”, Depp é o homem que brilha, Bale é a sombra e eles só existem juntos.
A utilização de câmeras digitais conferiu ao filme uma verdadeira sensação de imersão, efeito que o próprio Michael Mann disse que procurou obter. Bem...Ele conseguiu! Fazemos parte da gangue de Dillinger e da equipe frustrada de Purvis ao mesmo tempo.
Marion Cottilard e Johnny Depp são o casal apaixonado, a mulher que não tem nada a perder e o homem que...Ganha tudo! Uma das minhas maiores birras de casais Hollywoodianos é que eu não acredito no romance que acontece tão rápido e me parece tão mal construído. Em “Inimigos Públicos” ele acontece num piscar de olhos, mas você nunca duvida.
É um exemplo de boa escrita! Purvis para Dillinger: What keeps you up at nights? Dillinger para Purvis: Coffee. O diálogo que sai da boca dos atores tem uma razão de ser, não são palavras cuspidas na tela, cada frase tem seu propósito. Os diálogos são costurados, bordados talvez? Qual seria a melhor definição?
Bem, deu para ver que gostei do filme (eu não ganho comissão ok?). É aquele filme divertido, entretenimento (por que não?) em que você não sai mais burro, pelo contrário, aprende de uma maneira alternativa. Aprende o que? No mínimo, o que constrói um bom filme (na minha humilde opinião).

 

Mariana Serapicos

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