Iniciando com o fim  escrito em domingo 02 novembro 2008 15:24

 

 O filme Apenas o Fim é uma produção de alunos da PUC do Rio de Janeiro, um longa realizado na base do amor e da amizade, provando que existe um cinema brasileiro, apesar de todas as dificuldades, e que ele finalmente respira.

Um verdadeiro retrato de uma geração que cresceu com Pokemón e Cavaleiros do Zodíaco, que quando jovem se voltou para Bergman e Godard. Um diálogo entre um casal que passa a sua última hora juntos relembrando e vivendo.

É possível observar as inúmeras influências do diretor, elas vão de Antonioni a Fellini e é impossível não notar pitadas de Annie Hall no roteiro. O filme é, antes de tudo, honesto e verdadeiro. Ao invés de se propor gigantesco logo de início, ele se prova gigantesco através de sua mera simplicidade.

Mais do que um retrato, um reflexo de pessoas que nunca se viram na tela do cinema. Dinâmico e envolvente, o filme, em seus breves oitenta minutos, provoca risada e choro por ser calcado no real em todos os seus aspectos.

A fotografia granulada da câmera digital acrescenta charme. Os tons amarelos entrecortados por cenas em preto e branco constrói uma narrativa paralela que, por si só, renderia um outro filme e o fato do diretor não optar por separá-las as torna únicas.

A química dos protagonistas não pode ser negada e o timing de ambos para a comédia revela a sincronia em que os dois se encontravam. O diálogo que se estabelece entre unidade e separação é recorrente e evocado de uma maneira sutil, fugindo do óbvio.

Muitos afirmam que fazer cinema não é uma tarefa fácil, exige o compromisso de muitos, confiança, cumplicidade e dinheiro; esse grupo de alunos da PUC provou que o último não é necessariamente verdadeiro.

 

MARIANA SERAPICOS

 

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O Fardo da Cegueira  escrito em domingo 12 outubro 2008 21:37

 

O projeto ambicioso de Fernando Meirelles de trazer o livro de José Saramago “Ensaio sobre a cegueira” às telas do cinema finalmente se concretizou. Para aqueles que acompanharam a saga do diretor existe um sentimento de cumplicidade, no entanto, as altas expectativas que foram se construindo ao longo do tempo podem, infelizmente, se desmoronar em duas horas.

            O produto final não deixa de ser um fardo, adaptar o trabalho de um conceituado escritor que está na ativa não é uma tarefa fácil; se Meirelles pecou em algo foi na sua vontade em satisfazer o autor da obra.

            As adaptações de livros para cinema são continuamente discutidas, um dos maiores erros cometidos por tantos é a adaptação literal. Sendo os meios de comunicação diferentes a forma também deve ser alterada, não é necessário que a pontuação exata ( no caso De Saramago, a ausência dela) seja transmitida ao espectador.

            O início demorado do longa é exaustivo e não omite nenhum detalhe da obra original. A necessidade de expor a relação entre as personagens principais de faz desnecessária e forçada.

A luz estourada não deixa de ser interessante, a cor branca que ela produz associada à cegueira dos personagens forma um diálogo único, no entanto, o seu uso excessivo, por vezes, tira o propósito de sua presença. Se ao inseri – lá o diretor procura dizer alguma coisa através da linguagem a saturação da mesma a esgota de significado.

A característica principal, e um dos aspectos mais importantes do livro que Meirelles conseguiu captar foi a internacionalização dessa fábula moderna. A mescla de lugares de diferentes países nos passa a idéia de que o lugar que observamos não é nenhum lugar no mundo e, ao mesmo tempo, todos eles.

Parece que existia uma vontade inerente do diretor de ousar, a relação entre narrativa e composição de imagens é constante na medida em que elas se complementam continuamente; mas parece que a necessidade de “fazer juz” a obra, satisfazer Saramago e não chocar o público internacional com cenas “fortes” sufocou a criatividade do mesmo. A saga que foi editar o longa é auto explicativa.

Por fim, é necessário dizer que a língua em que o filme foi realizado não deixa de ser uma ironia. A obra é de um autor português que não é traduzida para outros países de língua portuguesa; com a quantidade de países que falam português e considerando a raridade de um autor dessa língua se tornar um ganhador do prêmio Nobel, não deixa de ser triste que a língua falada no filme é, em sua maior parte, inglês. Pode-se dizer que é o cúmulo da globalização.

 

Mariana Serapicos

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Para o Armandinho, nosso próximo Tarantino!  escrito em domingo 28 setembro 2008 04:03

Uma homenagem ao nosso AMIGO que terá muitas conquistas e que NUNCA irá nos abandonar!!!!

 

Mari

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Never say never...  escrito em domingo 28 setembro 2008 03:58

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O universo da animação é um universo em expansão  escrito em domingo 14 setembro 2008 02:48

O cinema precisa de idéias inusitadas e é isso que César Cabral nos oferece em “Dossiê Rê Bordosa”. A idéia de fazer um documentário em forma de stop motion não é apenas criativa como também extremamente bem executada, e é possível observar a mão do diretor, literalmente, já que ele mesmo animou os bonecos.

            A pergunta que o curta tenta responder é por que Angeli matou uma de suas personagens mais populares. Através de entrevistas e relatos acabamos conhecendo um pouco mais dessa conflituosa relação entre criador e criatura.

            A magia do cinema que nos é revelada tantas vezes em documentários não deixa de aparecer aqui, movimentos de câmera chegam a ser óbvios, propositalmente, para nos revelar que existem outros por trás daquilo que assistimos. Nesse caso, uma equipe de massinha e uma equipe de carne e osso. São geniais os momentos em que o microfone aparece em cena ou em que o câmera tenta ajustar o foco.

            É impossível não perceber o carinho com que foi feito o filme, usando técnicas de rotoscopia; os profissionais envolvidos na sincronia da fala com o rosto das personagens permitiram-nos ver pessoas reais tomando a forma de bonecos.

            O curta, que demorou em torno de um ano para ser feito, nos oferece uma visão bem humorada do universo do cinema e dos próprios personagens de Angeli. Os diálogos são inteligentes e divertidos, mesmo para aqueles que não conhecem a obra do cartunista.

            Houve um cuidado extremo em todas as etapas da produção. As cores, a música e a narração entram em sincronia para contar uma história que tem um resultado único e criativo.

            Com filmes como este fica cada vez mais claro que o mundo da animação é amplo e ainda tem muitas coisas a serem exploradas, é só esperar que existam muitos criadores com a capacidade de César Cabral para realizá-las.

 

Mariana Serapicos

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